sexta-feira, 18 de novembro de 2011
A Escolha da Maternidade Paternidade
Tornar-se ou não responsável por uma criança é um dilema difícil de solucionar, pois a opção favorável à maternidade/paternidade indica a mudança definitiva de status. Optar por esta alternativa é assumir uma grande responsabilidade, já que a criança dependerá integralmente do casal por um longo tempo. O filhote do ser humano nasce prematuro, sem condições de sobreviver sozinho, o que se dá de maneira diferente com os outros animais que, em dias ou semanas, estão prontos para cuidar de si sem a ajuda de seus pais. Tornar-se pai ou mãe é participar da cadeia das gerações e, quando nos damos conta desse fato, temos a sensação de que somos ínfimos. É neste momento que percebemos que muitos nos antecederam e que muitos nos descenderão e, por isso, devemos aceitar a hipótese de que pode-se permanecer vivo através das gerações. Dessa forma, deixamos de ser finitos, apesar da lei da natureza. Ao mesmo tempo, ainda que parece um paradoxo, tornar-se pai ou mãe é assumir que estamos amadurecendo e que nossa finitude é real. Portanto, ter um filho comporta uma condição ambivalente: gerar uma vida e aceitarmos que ela é finita. Nem sempre estamos preparados para isto. O ser humano não é um produto pronto e acabado. Ele é dinâmico e, no decorrer da vida, vai se transformando. É livre para escolher entre as muitas opções que a vida lhe apresenta. Esta escolha é vivenciada com inquietação, pois não é possível escolher tudo, então cada escolha comporta a renúncia de muitas outras possibilidades. Assim, você que está agora lendo este texto, o faz porque escolheu entrar no site e está deixando de ficar comodamente descansando, de ir ao cinema, estar com alguém querido. Por que fez isso? Talvez porque se deu conta de que nossa existência é repleta de escolhas. Desde a hora em que toca o nosso despertador podemos decidir se iremos acordar imediatamente para ir ao trabalho, se vamos ficar mais um pouco cochilando ou, ainda, se vamos levantar imediatamente. Se optamos por cumprir aquele compromisso (e sair da cama), outras opções vão se seguindo: a vestimenta, o que comer, o trajeto que vamos fazer, ir de metrô ou de carona... Nem sempre, porém, as opções que se nos apresentam são de fácil escolha. Há decisões difíceis de serem tomadas, o que acabam gerando uma grande angústia. A inquietação diante da liberdade de escolha é tanto maior, quanto mais importante for nossa decisão na vida, ou seja, ela determinará um caminho a seguir. Existem situações em que hoje fazemos uma escolha e que amanhã podemos recuperar ou mesmo postergar. Mas existem decisões que implicam em renuncias irrecuperáveis de coisas que são muito importantes em nossas vidas. Por isto, às vezes, prolongamos ao máximo o momento da escolha, pois desta forma nos iludimos fazendo de conta que podemos manter as duas possibilidades que, na verdade, são inconciliáveis. O nosso existir é incerto, pois se desenvolve num processo cheio de ambigüidades e de riscos, cuja imprevisibilidade nos impede de ter segurança ao agir. Quando realizamos os nossos planos, geralmente, eles se realizam de forma diferente daquela que havíamos idealizado. Existir é estar em constante processo, indo sempre adiante, caminhando para um futuro que está se abrindo diante de nós, com possibilidades imprevisíveis e incontroláveis. É por isto que precisamos ter coragem para existir, coragem para ser... Somos seres vivos, mas somos também mortais porque, ao mesmo tempo que vivemos, estamos morrendo um pouquinho à cada dia. Deste modo buscamos, de alguma forma, nos tornar mais perenes: "ter um filho, plantar uma árvore, escrever um livro". Boa escolha!
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário